tecnicoA trajetória de um homem não se mede apenas pelas instituições que o acolheram, mas pelos valores que ele semeou ao longo do caminho. A minha história é construída entre obras, escritórios, salas de aula e centros de pesquisa . É a história de alguém que aprendeu que administrar é cuidar, planejar é compreender e liderar é servir com propósito.Na minha formação em Administração, percebi que as organizações não são apenas estruturas; são organismos vivos, pulsantes, repletos de sonhos e contradições. O funcionamento dessas estruturas tornou-se um exercício não apenas técnico, mas uma busca por coerência entre eficiência e humanidade. Minha carreira começou em empresas privadas e depois organizações públicas, entre os dois mundos com o mesmo compromisso: o de gerar valor, eficiência e dignidade. A experiência em empresas de construção pesada no Oriente Médio foi um marco na minha formação prática e espiritual. Sob o sol do deserto imenso e horizontes silenciosos, aprendi que a gestão é também uma arte de adaptação. Entre culturas, línguas e crenças distintas, a liderança se torna um exercício de escuta, empatia e respeito.A convivência com pessoas de diferentes nacionalidades me ensinou a importância do diálogo intercultural como ferramenta de gestão. Descobri que os desafios de uma obra monumental não estão apenas no concreto, mas na costura invisível entre as pessoas que a tornam possível. Foi ali que compreendi o sentido de coordenar, unir esforços, alinhar intenções e transformar trabalho em legado.De volta ao Brasil passei a enxergar as instituições com maior profundidade, como à CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos), contribuindo para projetos de melhoria em processos e sistemas integrados de gestão. Na Prefeitura do Rio de Janeiro, pude aplicar metodologias de planejamento e otimização administrativa em ambientes complexos, lidando com as urgências sociais e a necessidade de inovação contínua no setor público. No Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) transitei entre a prática da gestão e a formação técnica e científica de jovens, aplicando o conhecimento para transformação institucional. Atualmente, no INMETRO, participo da construção de um novo paradigma de gestão da qualidade, modernização e inovação tecnológica, contribuindo para o fortalecimento da infraestrutura metrológica e regulatória do país, onde pude integrar minha vivência técnica e minha reflexão acadêmica. As políticas de qualidade e a gestão da inovação exigem mais que normas e indicadores: pedem visão sistêmica e sensibilidade para compreender as interdependências entre o público e o privado, o técnico e o humano, o nacional e o global.Minha formação não foram apenas títulos acumulados, mas etapas de uma jornada intelectual voltada à compreensão da complexidade das instituições, aprendi que o gestor moderno é também um intérprete da realidade, alguém que traduz dados em decisões, incertezas em estratégias e valores em ação. A vivência em contextos tão diversos consolidou em mim a percepção de que gestão é linguagem. Cada organização tem sua gramática, cada equipe seu vocabulário, cada liderança sua melodia própria. Saber ouvir, interpretar e harmonizar essas vozes é o desafio central de quem deseja liderar com humanidade.